História

 

Inspirado no Everton da Inglaterra, o Parnahyba tem história e tradição ao seu lado. É a agremiação esportiva mais antiga do estado do Piauí e tem como foco seguir crescendo em solo nacional.

História do clube e início inspirado em Liverpool

Coincidência ou não, o Parnahyba tem sua história ligada ao início do futebol brasileiro. Se no Brasil quem trouxe o esporte mais amado do mundo foi o inglês Charles Miller, no Piauí foram também imigrantes oriundos do Reino Unido.

É necessário voltar no tempo para entender o que acontecia no estado. Naquela época, o ciclo da carnaúba, produto típico do Piauí, estava em alta valorização no mercado internacional, atraindo uma grande quantidade de estrangeiros para Parnaíba, principal cidade do litoral piauiense.

A maioria desses imigrantes veio do Reino Unido e, como naquela época a invenção inglesa era “doce na boca” dos nativos da Grã-Bretanha, eles trouxeram essa novidade: o até então desconhecido futebol.

Historiadores do futebol parnaibano defendem que a chegada tem a ver com a ação de um inglês conhecido como Mr. Anderson. Ele desembarcou no Nordeste vindo da Inglaterra para visitar o amigo James Friederick Clark, proprietário da Casa Inglesa, empresa que exportava diversos produtos, principalmente relacionados à carnaúba.

Ainda no início do século XX, o futebol havia chegado ao Brasil há menos de 100 anos e não tinha se expandido para essa região. Mr. Anderson presenteou Antônio Clark, filho de James, com uma bola. O mimo se tornou o embrião da formação do Internacional, time formado por funcionários da Casa Inglesa e amigos, que marcaria a história do esporte na cidade.

“O campo da Casa Inglesa foi o primeiro campo de futebol de Parnaíba e, durante muito tempo, foi o principal. Já na década de 70, o Governo do Estado comprou o campo, onde hoje fica o CT Petrônio Portela, e o repassou para os outros times da cidade”, conta Batistinha, ex-jogador e principal historiador do futebol parnaibano.

Os “nativos” então se aproximaram e montaram um time, utilizando o esporte bretão para reforçar em campo uma rivalidade já existente entre parnaibanos e ingleses.

O principal responsável pelo nascimento do novo clube foi José de Moraes Corrêa, conhecido como Zeca Corrêa. Filho de empresários parnaibanos, o jovem Zeca foi estudar na Inglaterra, onde conheceu o esporte que se tornava cada vez mais popular no mundo. De volta à sua terra natal, trouxe consigo algumas bolas e uniformes e, no dia 1º de maio de 1913, fundou, junto a amigos, o Parnahyba Sport Club.

Nascia assim, em 1913, o Parnahyba Sport Club.

Clube mais antigo em atividade em solos piauenses, foi o berço do futebol estadual. Os ingleses residentes foram os principais incentivadores do esporte no município, onde fundaram o Camisa Vermelha — influência do Liverpool, que depois ficou conhecido como International Athletic Club — e o Camisa Azul — influência do Everton, que mais tarde se tornou o Parnahyba Sport Club.

As primeiras décadas do Tubarão foram recheadas de títulos. Na primeira metade do século passado, não existia uma federação unificada no futebol piauiense. Assim, os times da capital jogavam um campeonato em Teresina, enquanto no litoral existia a Liga Parnaibana, na qual o Parnahyba foi o maior vencedor.

Com o tempo, veio o profissionalismo ao futebol piauiense, na década de 60, e nesta época,  o Parnahyba entrou em um longo período de jejum. O motivo? A realidade financeira. Na época, a agremiação sobrevivia com recursos limitados e funcionava de forma amadora, em que parentes se uniam para manter viva a chama azulina. Foram décadas sem levantar troféus, sustentado principalmente pela paixão da torcida e pelo sentimento de pertencimento que sempre cercou o clube.

Antes do tão comemorado tricampeonato estadual entre 2004 e 2006, os poucos lampejos de glória vinham de dois vice-campeonatos, um nos anos 70 e outro com 23 anos de diferença, precisamente em 2003. Tais palmares serviram como lembretes de que a grandeza ainda estava ali, à espera de um novo capítulo.

Mesmo nesse período difícil, a importância do Parnahyba nunca se apagou. Fundado no início do século XX como símbolo da identidade local diante de um esporte “estrangeiro”, o clube continuou sendo motivo de orgulho para os parnaibanos. A história da cidade e a do time caminham lado a lado — e é justamente essa ligação profunda que faz o Tubarão ser muito mais que um clube de futebol.

A reforma do estádio

Com o fechamento da Casa Inglesa, o estádio foi colocado à venda, sendo comprado pelo Governo do Estado do Piauí, na gestão do então governador parnaibano Alberto Silva, e doado ao Parnahyba em 1973.

Após a construção do Estádio Mão Santa (atual Pedro Alelaf), o Parnahyba deixou definitivamente de mandar seus jogos no Petrônio Portela, que, “esquecido”, começou a sofrer com os danos do tempo e da falta de manutenção.

Restando apenas as ruínas da estrutura original, a diretoria decidiu, em 2008, iniciar uma grande reforma de restauração e ampliação do estádio, transformando-o no Centro de Treinamentos da equipe profissional e das categorias de base.

A retomada de glórias

Era 2004 quando o time, que não conquistava um título há décadas, iniciou uma sequência histórica: três conquistas seguidas no Campeonato Piauiense. Para muitos, uma guinada que levantou a moral e reavivou a chama do torcedor parnaibano.

O caminho para essas conquistas começou a ser traçado alguns anos antes. Em 2002, a administração pública de Parnaíba firmou uma parceria para repassar verbas ao clube. Com mais recursos, o Tubarão conseguiu montar elencos mais fortes e voltou a brigar por taças.

Apenas dois anos depois, veio o primeiro título. Antes disso, porém, o segundo vice-campeonato estadual, em 2003. Como forma de compensar os anos de jejum, as conquistas vieram em série: 2004, 2005 e 2006.

“Aquele tricampeonato foi muito importante. Nós não ganhávamos nada há muito tempo e aquilo serviu para levantar a moral do torcedor, levá-lo de volta ao estádio, aumentar a renda…”, lembra Batistinha.

O atual presidente do clube, José Lima, compartilha a mesma visão. Para ele, o torcedor se sentia órfão de futebol, tanto pela ausência de títulos quanto pela extinção de algumas agremiações. O tri devolveu o brio às arquibancadas.

“Os outros times grandes que existiram aqui, como Tuna-Luso e Paysandu, já haviam sido extintos. Ficou apenas o Parnahyba, que não estava ganhando nada. Aí vieram os títulos para levantar a moral desses torcedores”, diz ele.

Entre os jogadores que marcaram época estão Danilo Queiroz, um dos grandes meias da história do clube; o zagueiro Eridon, ídolo azulino; e Totonho, hoje capitão do Tubarão, com moral quase inabalável no litoral piauiense.

Naquele tempo, o clube vivia mais de saudosismo do que de alegrias — os títulos da Liga Parnaibana eram as lembranças mais recentes. As coisas mudaram radicalmente depois do tri.

“Para nós foi como mudar da água para o vinho. O time entrou em ascensão, aquilo movimentou a cidade, atraiu mais torcedores e deixou o Campeonato Piauiense mais competitivo”, relembra Francisco Armando da Cunha, o “Seu Armando”, torcedor histórico e fundador da torcida organizada Tubarões da Cohab.

O Tubarão é vencedor de 13 títulos estaduais, sendo os últimos conquistados em 2012 e 2013, quando derrotou o River Plate.